Um porre. É disso que eu estou precisando. Um porre pra esquecer de todos os problemas, principalmente, de você. Quero beber todas numa noite só, quero dançar até meu pé não aguentar mais, quero cantar até minha voz sumir e quero beber até não lembrar mais de você. Quero estar de ressaca no dia seguinte até o fim do dia, assim não lembrarei de você. E então, vou sair novamente, beber todas e me desligar do mundo.
Eu estava deprimida. Provavelmente porque quase nunca saía de casa, passava horas na cama, lia o mesmo livro várias vezes, raramente comia e dedicava grande parte do meu abundante tempo livre pensando na morte.
Eu vou ignorar você em alguns momentos e logo depois vou te procurar como se a distância me arrancasse os pulmões. Vou fingir que minha loucura não é o que nos afasta e que você não gosta disso. Eu vou cansar, xingar você, mas depois vou querer um pouco do teu colo. Meus ciúmes irão te chatear ou aumentar o teu ego, você só precisa aprender a não instigá-los e então seremos felizes. Não sempre, claro, mas até o próximo surto, me curta. Aproveita meus momentos de puro dengo e me escuta dizer baixinho, sussurrando que é de você que eu gosto. Mas depois me deixa te bater, porque eu vou fingir que me zango para te ver preocupado em me acalmar. Pede desculpa, vai, espera que vou me desculpar. Se eu der beijinho, sara? Me ensina um jeito bom de amar.
Ela deixou que a mão dele descesse até abaixo da cintura dela. E numa batida mais forte da percussão, num rodopio, girando juntos, ela pediu: “Deixa eu cuidar de você.” Ele disse: “Deixo.”
Não me vem com essa de “você vai ser feliz quando encontrar a pessoa certa”, eu nem sei se acredito nesse papo de pessoa certa. Acredito mesmo, que quando queremos ser feliz com alguém, é nós quem fazemos a felicidade e ser a tal pessoa certa.